Na audiência pública realizada no Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira, 17, para discutir a possibilidade de abertura de novos cursos de medicina no país, chamou a atenção dos presentes o alinhamento entre a lobista de grandes faculdades Elizabeth Guedes, e os colegas de seu irmão, o ministro da Economia, Paulo Guedes: os ministros da Educação, Victor Godoy , da Advocacia-Geral da União, Bruno Bianco, e o da Saúde, Marcelo Queiroga.
Todos se posicionaram contra a possibilidade de abertura de vagas para médicos.
Em vários momentos, Beth Guedes, como é conhecida, orientava e solicitava intervenções, como se fosse chefe dos ministros. Bruno Bianco, inclusive, foi auxiliar de Paulo Guedes na Economia antes de ser advogado-geral da União.
A audiência pública é preliminar para o julgamento do STF sobre a ação de inconstitucionalidade da lei que proíbe a criação de novas vagas para cursos de medicina.
Atualmente há 65 liminares permitindo a abertura de novas vagas. Mas, os maiores conglomerados da educação superior, como Kroton (uma das maiores com capital aberto e dona de muitas marcas), Anhembi Morumbi e Yduqs (dona da Estácio de Sá, que também tem ações negociadas em bolsa), representados por Beth Guedes, querem suspende-las.
Só falta a assinatura do presidente Jair Bolsonaro para Beth Guedes se tornar também conselheira na Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação. Na função, ela será uma das responsáveis por regular o setor das universidades e faculdades privadas – justamente na mesma área em que atua como lobista.

