O procurador regional eleitoral de Alagoas, Antônio Henrique de Amorim Cadete, decidiu arquivar um pedido de investigação contra a ação da Polícia Federal que terminou com a apreensão de R$ 146 mil em dinheiro com o deputado estadual Marcelo Victor (MDB), na antevéspera do primeiro turno das eleições deste ano.

O pedido foi encaminhado à Procuradoria pelo senador Renan Calheiros, presidente do MDB alagoano. O parlamentar argumentou que não havia indícios de crime que pudessem sustentar a abordagem dos policiais naquela tarde, em Maceió. A lei eleitoral proíbe que políticos sejam presos nos dias que antecedem a disputa, salvo em casos de flagrante.

O argumento não foi acolhido e a investigação segue. Para Cadete, os indícios apontados no processo apontam que Marcelo Victor poderia estar comandando um esquema de compra de votos. Além do dinheiro, os policiais apreenderam uma lista com nomes de eleitores e santinhos, cuja relação precisa ser investigada mais a fundo para comprovar o crime.

No documento, Cadete aponta que a operação começou com uma denúncia feita por um delegado da Polícia Federal que está afastado das funções, enquanto ocupa outro cargo público. O policial estava no restaurante do hotel onde a abordagem aconteceu.

Em depoimento, ele afirmou ter visto uma pessoa receber de Marcelo Victor um saco de lixo azul, cujo formato aparentava esconder dinheiro. O saco foi escondido dentro da roupa dessa pessoa, que saiu do hotel em seguida.

Foi esse delegado quem chamou a Polícia Federal para que fizessem a abordagem. Ao chegarem, os policiais se depararam com os R$ 146 mil escondidos dentro de outro saco de lixo, que estavam dentro de uma mochila.

No dia seguinte à operação, Victor divulgou nota afirmando que o dinheiro era relacionado a negócios próprios. Ele só não detalhou a situação de um major da Polícia Militar, que fugiu da abordagem com uma mala, em um carro registrado no nome dos filhos do deputado.

Ao fugir, o major chegou a sacar uma arma e fazer ameaças a um dos membros da equipe da Polícia Federal.

Na opinião de Cadete, toda a narrativa, imagens de câmera de segurança e o contexto como tudo aconteceu precisam ser investigados mais a fundo. No entanto, ele reiterou que não houve nenhum excesso por parte dos policiais, tampouco indícios da participação de Arthur Lira na denúncia que levou à apreensão.

O deputado Marcelo Victor foi reeleito. Recebeu 51.259 votos e foi o terceiro mais bem votado na disputa a uma vaga na Assembleia Legislativa. Procurado pelo Bastidor, ele informou que não iria se manifestar sobre as conclusões de Cadete.

Leia abaixo a íntegra do documento da Procuradoria Regional Eleitoral de Alagoas