A última pesquisa Datafolha gerou um ambiente de mobilização na campanha de Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira, sua equipe programou propagandas para fomentar o clima de virada para a última semana e ministros deram entrevistas defendendo a vitória e tripudiando de Lula e das pesquisas.
(Um aviso: Bolsonaro, seus aliados e seguidores não acreditam em pesquisas eleitorais. Acreditam que as empresas que fazem os levantamentos trabalham em favor de Lula. Defendem o projeto que está na Câmara, que criminaliza a realização de pesquisas. Mas, com os resultados positivos desta semana, deram um tempo nisso.)
A oscilação na pesquisa foi pequena, mas foi positiva para Bolsonaro. O presidente cresce aos poucos, num momento em que Lula está parado. Os ministros Ciro Nogueira e Fábio Faria deram entrevistas longas em favor do presidente. À Folha, Ciro desancou as pesquisas, atacou Lula e previu a vitória de Bolsonaro – baseado em aliados e nas pesquisas. Faria fez algo parecido, de forma menos agressiva, no Valor.
Na sexta-feira, como Lula não irá ao debate no SBT, Bolsonaro será entrevistado por duas horas em um canal que o apoia. Por não ser um debate, a audiência pode ser menor, mas o presidente terá o benefício de falar sozinho.
Tudo isso ajuda a compensar derrotas em outras frentes. Na última semana de campanha, Bolsonaro terá apenas 55 inserções de 30 segundos, contra 395 de Lula, devido a uma punição imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em dois julgamentos, Bolsonaro perdeu 184 inserções e Lula perdeu 14; saldo negativo de 170 inserções para Bolsonaro. Esses comerciais curtos são a parte mais importante da campanha no rádio e na TV. O fato de ser na última semana de campanha piora o impacto.
Além disso, a campanha de Bolsonaro sofre em outras frentes, por conta da ação do TSE contra mentiras e notícias falsas. Entre outras medidas, canais que apoiam o presidente sofram restrições de impulsionamento e captação de recursos. Suas postagens terão menor alcance nos próximos dias.
Bolsonaro tem de aproveitar a onda desta semana para aquecer sua militância e empolgá-la para não desistir numa última semana que será difícil em termos de exposição. Tem de fazer isso agora para ofuscar as derrotas na propaganda e para mitigar os efeitos negativos que podem vir.

