Jair Bolsonaro não sofreu na sabatina organizada por veículos de imprensa. Falou em tom ameno, não usou palavras chulas e chamou mulheres de senhora. Em nítido aceno aos eleitores de centro e indecisos, tentou se mostrar um político tolerante ao defender os mais pobres, dizer que protege a Amazônia e até plural, falando que já salvou um negro e que a redução da violência também ajuda a comunidade LGBTQI+.

Alexandre Moraes também ajudou o presidente ao se autoconceder plenos poderes na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Bolsonaro falou que seu alerta sobre a perda de liberdade está se tornando realidade graças ao ministro do Supremo Tribunal Federal e do TSE. Defendeu que a imprensa deve ser livre, assim como perfis nas redes sociais que emulam a mídia tradicional – o que beneficia sua máquina na internet.

A liberdade também continua na economia, segundo Bolsonaro, assim como Paulo Guedes. O candidato à reeleição aproveitou a ‘recondução’ seu “Posto Ipiranga” para criticar Lula, que faz mistério quanto aos seus ministeriáveis. E se Guedes fica, o faz de conta econômico também. O presidente não disse quais estatais pretende privatizar nem como continuará pagando Auxílio Brasil de R$ 600 reais. Também não assumiu sua culpa pela inflação, colocou tudo na conta da guerra na Europa, da pandemia e do “fica em casa”.

No mundo do Bolsonaro da sabatina, houve “minirreforma”administrativa com o represamento dos concursos públicos, o Brasil “está pronto para voar”, o dólar não subiu, a bolsa de valores não caiu e vai o salário mínimo vai aumentar porque Guedes vai dar jeito. O presidente até citou o projeto da renda mínima, bandeira do petista Eduardo do Suplicy – coisa que o PT não fez.

Problemas com o STF? Não existem. Bolsonaro disse que não vai apresentar pedido de impeachment contra Moraes – mas foi perguntado se avançaria no Senado contra qualquer ministro, não apenas o presidente do TSE.

Governabilidade é problema solucionado, disse o candidato, porque o novo Congresso será de centro-direita. Bolsonaro só não disse que muitos nomes são repetidos e, inclusive, já integram a base do governo. O presidente defendeu o orçamento secreto: “O que é secreto é o nome do parlamentar”. Para logo depois culpar Rodrigo Maia pela criação desse monstro orçamentário.

Um desavisado pode achar o Bolsonaro desta sexta-feira (21) um candidato razoável. Mas, questionado sobre o respeito ao resultado das eleições, o atual presidente não respondeu diretamente. Condicionou o ato à avaliação da comissão de transparência – vulgo os militares.