Valdemar Costa Neto, dono do PL, e Ciro Nogueira, ministro-chefe da Casa Civil, que tem o controle do PP, trabalharam ao longo da quarta-feira, 26 para dissuadir Jair Bolsonaro e aliados de embarcar na tese de tentar adiar as eleições. Apoiadores radicais, incluindo parlamentares, defendiam com veemência a ideia de contrariar a Constituição.

Em momentos diferentes, Valdemar e Ciro disseram que não havia tempo para o Congresso analisar uma PEC que permitisse mudar a Constituição. Acrescentaram que qualquer mudança de outra forma seria “entendido” como um golpe. A palavra “entendido” foi usada para evitar melindre de Bolsonaro.

O ministro Gilmar Mendes chegou a ser consultado por Ciro Nogueira sobre a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal deliberar a respeito, caso houvesse algum movimento da campanha de Bolsonaro por meio da justiça. Mendes, além de ser o ministro com maior interlocução política, é o decano do STF. Ele alertou para as consequências graves e imprevisíveis caso a história fosse adiante.

Por fim, sem a adesão dos chefes das Forças Armadas numa reunião à noite, como mostrou o Bastidor, restou a Bolsonaro decidir, em suas palavras, “jogar dentro das quatro linhas da Constituição”. Disse que iria recorrer da decisão de Alexandre de Moraes de arquivar o pedido de investigação da história aloprada de que havia uma conspiração para lhe tirar inserções de rádio. Até a próxima ideia.