Jair Bolsonaro afirmou a Globo, no fim do debate desta sexta-feira, 28, que “sustentava” suas declarações de que “quem tiver mais votos no domingo assume e governa”. “Sim”, respondeu ele, aproveitando para pedir votos para defender “um Brasil em liberdade”.

A jornalista Renata Lo Prete insistiu.

“Só para tirar a limpo de uma vez por todas: entendo que significa que o senhor respeitará o resultado seja ele favorável ou adverso ao senhor. É isso?”, perguntou. Ele respondeu: “Não há a menor dúvida. Quem tiver mais voto leva. É isso que é a democracia.”

É a segunda vez em poucos dias que Bolsonaro repete a promessa de que “quem tiver mais votos assume e governa”, depois de uma campanha em que atacou as urnas eletrônicas, a isenção do Tribunal Superior Eleitoral – e de sempre repetir que só respeitaria o resultado acrescentando condicionantes do tipo “desde que seja limpo”.

Não cabe ao presidente ou ao seu adversário condicionar o resultado das urnas ao que considera ou não limpo. Sempre vai caber à Justiça Eleitoral, ainda que os candidatos recorram quando se sentirem injustiçados.

A mudança no tom ocorreu após a reunião de emergência convocada por ele no Palácio da Alvorada na quarta-feira, 26.

Ele testara, como informou o Bastidor, a adesão dos chefes das Forças Armadas a tese, defendida inclusive por seu filho Eduardo Bolsonaro, de adiamento das eleições – algo descabido segundo a Constituição.

Naquele momento, na saída da reunião, o presidente ficou sem a adesão dos militares e de seus ministros políticos sequer para a foto do pronunciamento que fez. Ficaram ao seu lado apenas o ministro da Justiça, Anderson Torres, e Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional.

Em setembro, antes do primeiro turno, portanto, o presidente chegou a dizer que, se derrotado, iria passar a faixa presidencial e se recolher. “Se essa for a vontade de Deus, eu continuo. Se não for, a gente passa a faixa, e vou me recolher, porque com a minha idade não tenho mais nada a fazer aqui na terra se acabar essa minha passagem pela política em 31 de dezembro deste ano”.

No dia seguinte, porém, ele voltou a por em dúvida sua adesão ao resultado das eleições.