Anderson Torres está na mira de Alexandre de Moraes, pelo Tribunal Superior Eleitoral, e de Gilmar Mendes, pelo Supremo Tribunal Federal. Os dois ministros deram algumas horas para o ministro da Justiça e os diretores-gerais das polícias Federal e Rodoviária Federal explicarem operações às vésperas da eleição, além de uma investigação por uso político de bens públicos da PRF em prol de Jair Bolsonaro.
A primeira convocação partiu de Moraes, quase às 17 horas, após pedido do deputado federal petista Paulo Teixeira. O presidente do TSE deu 4 horas para o diretor-geral da PF, Márcio Nunes de Oliveira, explicar as operações anunciadas pelo ministro da Justiça e o efetivo de 10 mil agentes disponibilizado para este domingo, dia da votação.
Moraes deu o mesmo prazo para o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, detalhar operações programadas pela entidade em diversos estados, como Bahia e Pará, além da investigação do Ministério Público Federal sobre uso político da estrutura da PRF em prol de Bolsonaro.
Poucas tempo depois, perto das 20h, Gilmar Mendes entrou em cena, indo diretamente contra Torres. O decano do STF deu 3 horas para o ministro da Justiça explicar as operações que anunciou na manhã deste sábado. O ministro disse que após o prazo, o pedido apresentado pelo PSB estará pronto “para decisão, com, ou sem, a manifestação” de Torres.
Gilmar decidiu numa ação apresentada pelo PSB no dia 21, por conta da operação da PF contra o governador de Alagoas, Paulo Dantas – que chegou a ser afastado do cargo, mas retornou ao posto por decisões do decano e de Luís Roberto Barroso; esta última depois referendada em plenário.
O partido aliado do PT na corrida presidencial afirmou ao STF que as ação da Polícia Federal nesse caso mostrava o uso político pelo governo Bolsonaro. Hoje, o PSB renovou a solicitação com base nas afirmações de Torres. Apresentou o pedido perto das 17h.
Fato é que as decisões de Moraes e Gilmar vieram logo após Torres escancarar sua fidelidade, como ministro da Justiça, a Jair Bolsonaro, não ao Estado brasileiro que lhe garante o cargo. Na quarta-feira (26), Torres apareceu logo atrás do presidente numa coletiva de imprensa durante a crise fajuta das agora desmentidas fraudes nas inserções bolsonaristas em diversas rádios.
Além de Torres, apenas o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, estava com Bolsonaro na pataquada (veja a foto abaixo). Momentos antes, em reunião com ministros e os chefes das Forças Armadas, o presidente tentava emplacar o plano de adiar as eleições.

Torres ser o alvo da vez de Moraes e Gilmar é o primeiro resultado prático do duro discurso feito pelo decano do STF, durante sessão na semana passada, quando criticou aqueles que praticam a “rapinagem institucional”. O ministro da Justiça nunca foi bem quisto no Supremo e no TSE, agora, principalmente pelo apoio cego aos devaneios golpistas de Bolsonaro, menos ainda.
Leia as decisões proferidas neste sábado (29) por Alexandre de Moraes, presidente do TSE, e Gilmar Mendes, ministro do STF:

