O governador eleito de São Paulo, Tarcísio Freitas, já está com um problemaço: como acomodar três forças políticas em sua administração. Tarcísio chegou ao poder graças ao presidente Jair Bolsonaro. Mas sua vitória, em menor grau, deve-se também ao Republicanos (partido que o acolheu) e a Gilberto Kassab, do PSD. Não há carne para tanto apetite.
O governo de São Paulo precisará receber bolsonaristas que estão hoje em Brasília. Tarcísio precisará arranjar cargos para eles, para indicados de Marcos Pereira (chefe do Republicanos) e de Kassab. Não só: organizar suas secretarias com algum equilíbrio de poder entre as três forças.
Bolsonaro não espera menos do que, bem, qualquer coisa que ele ordene, não peça. Kassab acredita que merece um amplo espaço, sem o qual, assegura, Tarcísio não conseguirá governar. Marcos Pereira, que apostou em Tarcísio (uma aposta mútua e pragmática), já sacou que o governador não lhe será tão deferente quanto gostaria. Está incomodado com a força de Kassab, que avançou sobre o mapa de cargos estratégicos do governo.

