Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira agendou um encontro com o ex-governador petista Wellington Dias e com o relator-geral do orçamento do ano que vem, o deputado Hugo Leal, aliado seu, para depois do feriado de Finados.
Dias será o emissário de Lula para a interlocução com o Congresso, numa tentativa de construir junto a Lei Orçamentária Anual, de modo que não trave o futuro governo. Lira já avisou a seus interlocutores petistas que, se depender dele, o orçamento será construído ouvindo o governo de transição.
O presidente da Câmara tentará mostrar para Lula que será melhor uma composição para a sua recondução ao cargo no ano que vem, do que tentar apeá-lo da Presidência da casa.
Há, porém, um ponto de atrito já contratado: as emendas do relator, popularmente conhecidas como orçamento secreto. Se tudo ficar como está na Lei de Diretrizes Orçamentárias, essas emendas com pouca transparência vão custar 19 bilhões de reais no ano que vem.
O futuro governo vai precisar de dinheiro para, como deseja Lula, ampliar políticas públicas e o número de ministérios – embora o custo menor deste último seja menor, porque muitas estruturas estão unificadas e basta o desmembramento, como o Ministério da Economia, que agrupa as pastas da Fazenda e do Desenvolvimento.
Apesar do gesto de boa vontade de Arthur Lira, diz uma liderança partidária, ninguém quer desistir de seu quinhão no orçamento secreto.

