O principal dirigente partidário do país nunca teve um voto e nem sequer é da política. Trata-se do jovem advogado Antônio de Rueda, vice-presidente do União Brasil. No papel, Rueda é o número 2 do deputado Luciano Bivar. Na prática, está consolidando poder como chefe do maior e mais rentável partido do Brasil.

Rueda é próximo do presidente da Câmara, Arthur Lira, do PP. Tanto que Lira, como noticiou o Bastidor, embarrigou a indicação de Alexandre Camillo, nome de Rueda, à Presidência da Susep, a autarquia responsável por fiscalizar o setor de seguros. O escritório de Rueda e de sua irmã atua na área. O advogado também é empresário; tem negócios em diversos setores.

No governo Bolsonaro, a proximidade entre Rueda e Lira permitiu movimentos capitais, como o da Susep. Luciano Bivar também tem interesses no mercado de seguros. Com o domínio crescente de Rueda na fiscalização do setor e no controle da pauta do Congresso, Bivar, que foi instrumental ao advogado na criação do União Brasil, perdeu força na legenda.

Foi Lira, ainda, quem ajudou Rueda a compreender mais a fundo os mecanismos da política. E o aconselhou a tentar controlar os fundos partidário e eleitoral. Deu certo. Como resultado, os políticos de expressão do União Brasil, como Ronaldo Caiado, Sergio Moro e ACM Neto, precisaram negociar com Rueda repasses para suas campanhas.

Na política, como bem sabe Lira, que comanda as emendas do relator, ter o poder de controlar o fluxo de dinheiro é um instrumento valioso de negociação. Quando alguém precisa pedir é porque, politicamente, está em posição de desvantagem. Obrigação vira favor – que vira poder.

Agora, Lira e Rueda negociam a formação de uma federação entre União Brasil e PP. (Houve uma tentativa fracassada de fusão.) Pode até não dar certo, mas a aliança entre os dois sugere que, cedo ou tarde, algum tipo de consolidação entre as siglas ocorrerá. Essa união resultaria numa força partidária capaz de comandar as duas Casas do Congresso.