O fracasso da greve geral convocada em grupos bolsonaristas contra a eleição de Lula não significa que a mobilização dos adeptos do presidente arrefeceu, que a razão prevaleceu e que as coisas vão se acalmar.
O bolsonarismo é um movimento orgânico. Tem militância real, base na sociedade e articulação bem enraizada nas redes sociais – em grande parte devido ao perfil sócio-econômico dos seus simpatizantes. Entre seus integrantes existem empresários dispostos a financiar manifestações, paralisações e afins.
Nos próximos quatro anos, o bolsonarismo vai se alimentar não apenas de redes sociais, mas de atos para procurar atrapalhar o governo Lula, que começa em 1º de janeiro. É verdade que os seguidores de Bolsonaro independem da realidade para ter motivos para protestar – basta olhar o que acontece desde o dia 30 -, mas a situação econômica difícil do país fornecerá várias oportunidades para manifestações.
O governo Lula não terá aquela fase inicial de ventos favoráveis, que todos experimentam. Lula é o primeiro presidente a voltar ao cargo, desde Getúlio Vargas – portanto, já um velho conhecido. A divisão social no momento sugere que seu governo será acossado desde o início, sem aquela tradicional fase inicial de paciência.
Em pouco mais de uma semana começa a Copa do Mundo. Camisas da Seleção Brasileira serão usadas não como símbolo político, mas na sua função básica. Até janeiro os bolsonaristas já terão deixado de viver como hippies acampados na porta de quartéis. Mas isso não significa normalidade. Os adeptos de Bolsonaro têm raiva e instrumentos suficientes para atazanar o governo Lula.

