O presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, está fazendo de tudo para agradar Lula e o PT. Foi o primeiro integrante da ala econômica do governo Bolsonaro a anunciar que facilitaria a transição. Hoje, usou o anúncio de resultados do terceiro trimestre para mandar mais recados amigáveis à equipe de Lula.
Na coletiva, Ribeiro falou como se fosse um executivo da gestão do PT. Ressaltou que o BB consegue conciliar lucro com responsabilidade social. Afirmou que o banco promove o desenvolvimento da economia por meio de empréstimos a micro empresas. Não só. Até prometeu que o BB pode ser líder no mercado de carbono.
Ribeiro pode se comportar agora como executivo de um banco nórdico de desenvolvimento. Mas não convence. Como o Bastidor revelou, Ribeiro era próximo do PT durante os primeiros mandatos do governo Lula. Para virar presidente do BB, aproximou-se do centrão e de Flávio Bolsonaro. Minimizou a proximidade pretérita com o PT.
Ironicamente, Ribeiro conseguiu o cargo ao topar uma missão de Jair Bolsonaro. Para o presidente, os dois primeiros presidentes do BB, em seu governo, não haviam expulsado petistas – reais ou imaginários – de postos de comando do banco. O BB seria um “antro de petistas”.
Ribeiro executou o que lhe foi exigido por Bolsonaro. Promoveu um expurgo político entre os vice-presidentes do BB. Sete VPs da listinha do Planalto foram obrigados a sair ou pressionados a se aposentar. Sobrou apenas Carlos Motta, VP de Negócios de Varejo. Ele é amigo da família Bolsonaro. Assumiram os cargos aliados do governo e do centrão.
Não há rebranding que mude as realizações de Ribeiro à frente do BB e permita a ele cavar algum carguinho no governo de Lula.

