Por trás da confusão em torno da votação para a escolha dos novos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1ª Região está uma disputa antiga nas cortes judiciais em Brasília. Os protagonistas são o desembargador Ney Bello, do TRF1, e o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal.

A votação deveria ter ocorrido nesta quinta, mas foi suspensa por uma decisão do corregedor nacional de Justiça, Luis Felipe Salomão, do Conselho Nacional de Justiça, que atendeu a um pedido da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia. A entidade alega influência política nas escolhas.

Nos bastidores da suspensão da escolha dos novos desembargadores do tribunal há uma batalha por influência. Em jogo estão 13 cadeiras de desembargador a serem preenchidas no tribunal. A briga com recursos burocráticos e jurídicos é pelo poder de influenciar nas escolhas.

Bello está com o grupo que pediu a suspensão da votação. Defende que a escolha seja feita no ano que vem, no governo Lula. Já Kassio está ao lado dos demais desembargadores do TRF1, que querem cumprir com o compromisso marcado antes das eleições: que a escolha ocorreria ainda no governo Bolsonaro.

Bello e Kassio não se gostam há muito tempo. A decisão de Jair Bolsonaro de escolher Kassio ministro do Supremo Tribunal Federal elevou a briga a níveis mais altos.

Depois veio a tentativa de Ney Bello de integrar o STJ. O veto de Kassio tirou Bello da lista de possibilidades de Bolsonaro – pois o presidente devia ao ministro do Supremo.