O presidente da Câmara, Arthur Lira, está por trás da ameaça de lideranças de bancada de atrasar a tramitação da PEC da Transição enquanto o Supremo Tribunal Federal não decidir (favoralmente) sobre as emendas do relator – conhecidas como orçamento secreto.

Dois são os motivos: Lira quer valorizar seu passe e sua capacidade de articulação se, ao fim, entregar o texto aprovado, como acordado; e tenta forçar o futuro governo a articular no STF a manutenção do dinheiro para o Congresso.

A principal fonte de poder de Lira é o orçamento secreto. Com ele, o presidente da Câmara é a pessoa mais poderosa da política brasileira. Sem ele, o eixo de poder volta a pender para o presidente da República.

Lula, segundo seus interlocutores, sabe que se trata de pressão para que o futuro governo se envolva agora pela manutenção do recurso – o que não vem ocorrendo. Ele tenta convencer Lira que já fez o suficiente: não tentar acabar com a modalidade de emendas.

Além das RP9, como são chamadas essas emendas ao orçamento, está em jogo também espaço no governo.

Um deputado próximo a Lula reclamou com o presidente eleito que, até agora, a articulação por cargos restringiu-se ao Senado. Deputados querem forçar seu espaço.