Ainda que sob severas críticas, Alexandre de Moraes tornou-se a âncora da transição para o governo Lula. O ministro do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral tem tomado decisões nos últimos dias para assegurar, mesmo que minimamente, um ambiente político que permita ao presidente eleito subir a rampa do Palácio do Planalto.
Hoje (29), mandou a Polícia Federal ir para cima dos golpistas que levaram caos a Brasília e tentaram invadir a sede da PF e o STF. Ontem (28), o ministro proibiu o porte de armas na capital federal até 23h59 de 2 de janeiro. Dias antes, autorizou 100 buscas e apreensões, prisões, quebras de sigilos bancário e fiscal, além da suspensão de registros de atiradores e de quase 170 perfis nas redes sociais.
Nesse período, Moraes ainda mandou prender o pastor evangélico José Acácio Serere (conhecido como cacique Tserere), por incentivo ao golpe de Estado; o bolsonarista Oswaldo Eustáquio, por descumprir decisões judiciais; e Bismark Fugazza, sócio do canal Hipócritas, por insuflar golpistas.
Hoje, o presidente do TSE ganhou ainda mais pontos por enfrentar o bolsonarismo raivoso. Nas cortes superiores, a equação é simples: quanto mais golpismo, mais força Moraes ganha. A conta segue a lógica de entregar poderes plenos a um líder quando Roma estiver sitiada, numa simetria com a operação de hoje, chamada Nero.
No STF, o vandalismo golpista preocupa. Mas entende-se que a corte está minimamente blindada, porque decisões de Moraes são vistas pelos golpistas como atos do TSE. Impera há dias no tribunal a percepção de que é o momento de se preocupar com a instituição sem perder o foco no Tribunal Superior Eleitoral, inimigo da vez do bolsonarismo.

