Os protestos protagonizados por bolsonaristas subiram de patamar, passaram de protestos golpistas para ataques criminosos contra a democracia. O que aconteceu em Brasília na noite de segunda-feira mostra que, ainda que de forma desorganizada, o movimento dos defensores de Jair Bolsonaro é sério e ameaçador.
Sem uma liderança ou uma organização centralizada, os protestos bolsonaristas são uma versão tabajara da invasão do Capitólio, o levante dos trumpistas em 6 de janeiro de 2020, nos Estados Unidos. O que não quer dizer que não sejam perigosos para a democracia.
O ataque dos bolsonaristas à sede da Polícia Federal é o ápice de um movimento que começou com bloqueios de estradas, há mais de um mês, e se perpetuou com acampamentos em frente a quartéis pedindo um golpe militar.
O fato de os bolsonaristas radicais terem evoluído de performances em frente a quartéis para atear fogo em carros e ônibus e espalhar botijões de gás para provocar explosões em outros pontos mostra um ataque planejado. Coisas assim se aproximam das táticas terroristas adotadas por quadrilhas que assaltam bancos no interior. Não pode ser coisa de “pessoas de bem” que defendem um tipo esquisito de democracia.
O bolsonarismo radical não termina em 1º de janeiro, pode se tornar um movimento de longo prazo. Nos Estados Unidos, a questão foi resolvida com uma longa e detalhada investigação do FBI, que denunciou quase 800 pessoas, muitas delas sentenciadas e presas. Em comparação, ninguém foi preso ontem em Brasília.

