A mudança na Lei das Estatais aprovada ontem (13) na Câmara não apenas reabrirá de vez a porteira para indicações desqualificadas para cargos de direção, como afetará o caixa. O mercado deve se desfazer de investimentos nessas companhias e aumentar rigidez na avaliação dos riscos, desvalorizando ativos, projetos e dificultando a obtenção de crédito.

A avaliação é de um alto integrante do governo Jair Bolsonaro com ótimo trânsito no Ministério da Economia. Segundo essa fonte, o impacto real na gestão das estatais listadas em bolsas de valores poderá ser menor, por conta das regras de compliance que dificultam nomeações.

Desde o anúncio da nomeação de Mercadante, a Bolsa caiu, enquanto o câmbio e os juros futuros subiram, sinais decisivos de pessimismo. Com a aprovação da lei, a tendência negativa se acentuou nesta quarta.

O imbróglio começou com a decisão do presidente eleito, Lula, de nomear Aloizio Mercadante para a presidência do BNDES (que já foi anunciada com desculpas antecipadas) e Jean Paul Prates no comando da Petrobras.

A atual Lei das Estatais impõe quarentena de 36 meses para que dirigentes partidários, dentre outras categorias listadas, assumam o comando de empresas públicas. É o caso de Mercadante e Prates.