A operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (29), por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, espelha o revanchismo que se percebe na corporação desde a tentativa de invasão à sede do órgão em Brasília.

No dia seguinte ao ataque dos bolsonaristas, delegados, peritos e agentes já diziam querer pegar os responsáveis. Integrantes da PF contaram ao Bastidor que os grupos de mensagem estavam a mil na noite da invasão. Nem os bolsonaristas do órgão contemporizavam com o terrorismo.

Já naquele dia sobravam promessas de investigações para pegar cada um dos golpistas responsáveis por depredar a sede inaugurada recentemente.

O sentimento de vingança tem sua razão de ser. O ataque à sede da PF foi a segunda pancada levada pela corporação em dois meses. A primeira foi o atentado cometido por Roberto Jefferson contra três agentes federais. Alvo de mandado de prisão assinado por Alexandre de Moraes, o Rambo do PTB disparou dezenas de tiros e jogou granadas, que feriram dois agentes.

Antes dos ataques diretos, a PF foi driblada pelo governo na discussão salarial e viu, ao longo do mandato de Jair Bolsonaro a Polícia Rodoviária Federal tornar-se a predileta do presidente, com direito a primeira-dama de garota propaganda.