O deputado Elmar Nascimento, líder do União Brasil, causou uma confusão danada hoje (sábado) em Brasília. De uma só vez, desagradou Lula e enfureceu Arthur Lira.

Graças ao apoio do União Brasil à reeleição de Lira à Presidência da Câmara, Elmar virou relator da PEC da Transição. A relatoria seria, nos planos do deputado e de seus amigos, uma plataforma para aproximar o ex-aliado de Jair Bolsonaro da equipe do presidente eleito. Dando certo, o movimento ofereceria maiores chances de que Elmar se tornasse ministro das Minas e Energia, cargo cobiçado por ele e seu grupo.

Nos últimos dias, porém, Lula optou por entregar a pasta a algum nome do MDB do Senado. O senador Renan Filho é o favorito, como adiantou o Bastidor. As chances escassas de Elmar, que chamou Lula de ex-presidiário na campanha, reduziram-se a quase nada.

Elmar sentiu. E fez a única coisa que não deveria, em hipótese alguma: ligou diretamente para Lula. Tentou negociar a pasta em meio à articulação da PEC da Transição. O presidente eleito entendeu o que o deputado realmente queria – e cortou a conversa.

Lula reclamou com Lira. O presidente da Câmara soltou palavrões. Havia garantido a Lula que Elmar não causaria confusão com a relatoria. Num só movimento, o líder do União Brasil constrangeu Lula e expôs Lira. A relatoria da PEC da Transição serviria para que Lira e Elmar mantivessem o controle da Codevasf, unidade mais lucrativa do orçamento secreto. Obter a pasta das Minas e Energia sempre foi um objetivo distante.

Agora, com a patacoada de Elmar, Lula ganhou mais força para negociar termos favoráveis na PEC da Transição. Ao menos nos próximos dias, Lira se enfraqueceu perante o presidente eleito. O presidente da Câmara terá trabalho dobrado. Precisará entregar a PEC e, fosse isso pouco, queimar ainda mais capital político para que Elmar, e o União Brasil, saiam ao menos no empate ao cabo dessa história. Empate é manter a Codevasf – desde que alguém corte a tempo o celular de Elmar.