O clima na Procuradoria-Geral da República está uma “merda”, segundo procuradores ouvidos pelo Bastidor sob condição de anonimato. O motivo são as punições aplicadas pelo Conselho Nacional do Ministério Público a dois integrantes do MPF que atuaram na Lava Jato do Rio de Janeiro.

Eduardo El Hage foi punido com demissão convertida em suspensão das funções por 30 dias e Gabriela de Góes Anderson Maciel Tavares foi censurada pelo órgão que fiscaliza o trabalho do Ministério Público. A dupla serviu de exemplo para que o resto da classe não mexa com corruptos.

A punição resultou de um processo disciplinar apresentado por Romero Jucá e Edison Lobão. Tudo porque os procuradores da República foram considerados responsáveis pela divulgação institucional de informações sobre uma denúncia oferecida contra a dupla do MDB. O processo, naquele momento exato da divulgação da denúncia, estava formalmente sob sigilo. A denúncia, porém, sempre foi considerada uma peça pública. Era prática comum em casos de corrupção política, sobretudo na época dos fatos. Agora, com o avanço do retrocesso institucional no combate aos crimes de colarinho branco, voltou a imperar o sigilo, algo comum até os anos 90. A ação do CNMP contra os procuradores foi uma evidente retaliação.

Jucá foi flagrado num grampo conversando com Sérgio Machado (ex-diretor da Petrobras) defendendo o impeachment de Dilma Rousseff e um grande acordão – “com Supremo, com tudo” – para acabar com a Lava Jato e a instabilidade política. Já Edison Lobão foi acusado pela Lava Jato por supostamente ter desviado 1,5 bilhão de reais da Transpetro junto com Marcio Lobão, seu filho.

Ajuda de grego

Augusto Aras ajudou a piorar o clima. Procuradores afirmam que ele entregou, novamente, a cabeça de colegas à política em benefício próprio. “Fingiu que protegia, mas estava punindo”, disse uma fonte do alto escalão da PGR.

Também é destacado pelas fontes que o julgamento foi feito no pagar das luzes do ano judiciário, dificultando qualquer reação rápida. Nunca é demais lembrar que o procurador-geral ainda sonha em ir para o Supremo, e vale tudo para alcançar o objetivo.