Integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República estão preocupados com a ‘altivez’ das autoridades do Distrito Federal no caso do terrorista que tentou detonar uma bomba nos arredores do Aeroporto de Brasília. O motivo é a possibilidade de anular tudo o que foi feito até agora contra o terrorista.
Investigações e punições relacionadas ao terrorismo são competência da Polícia e da Justiça Federal. Porém, o ataque frustrado do bolsonarista George Washington de Oliveira Sousa está sob responsabilidade das autoridades distritais. Outra questão é como as informações foram obtidas.
Um integrante do alto escalão da PGR, em conversa com o Bastidor, questionou quem liberou o acesso à casa onde o terrorista estava, no Sudoeste da capital federal, e ao celular do criminoso. Tudo isso pode ser questionado na Justiça e invalidar o caso.
Já um policial federal com ótimo trânsito no alto escalão da corporação criticou a subserviência de Anderson Torres, que será secretário de Segurança Pública do DF em 2023. Afirmou que a publicação (veja abaixo) do futuro ex-ministro da Justiça no Twitter, afirmando que contribuiria com as investigações, na realidade, não ajuda em nada.
O @JusticaGovBR oficiou a @policiafederal para acompanhar a investigação e, no âmbito de sua competência, adotar as medidas necessárias quanto ao artefato encontrado ontem (24) em Brasília. Importante aguardarmos as conclusões oficiais, para as devidas responsabilizações.
— Anderson Torres (@andersongtorres) December 25, 2022
Inteligência vazada
Outro policial federal destacou a falta de acompanhamento do terrorista. Lembrou que a competência para fiscalizar CACs e explosivos, como os usados por George, é do Exército. Questionado sobre a fiscalização nas estradas, afirmou que depende do “azar” do criminoso em ser pego numa blitz – o sumiço da Polícia Rodoviária Federal após as eleições também contribui.
Na PGR ninguém sabia do assunto, diz outro integrante do órgão. “Se alguém sabia, escondeu a informação no colchão”, criticou.
Agora, caberá ao Senado descobrir por qual parte da peneira de inteligência passaram os terroristas golpistas. A Casa tem uma comissão responsável por isso.

