Acredite: ninguém quer o ministério do Planejamento, uma das pastas mais tradicionais da Esplanada, com centenas de funcionários de carreira, alguns dos tecnicamente mais qualificados da máquina federal. Nem o MDB, uma das entidades mais vorazes da política, quer saber dele.

Direto ao ponto: partidos não querem o Planejamento porque ali não há dinheiro para gastar. E até aquele cão golden retriever super inteligente do seu vizinho sabe por que os políticos preferem ministérios com dinheiro e capacidade de gastar. Por isso ninguém quer ser ministro do Planejamento do governo Lula.

A tarefa mais conhecida do Planejamento é formular todos os anos o orçamento da União. A pasta nunca foi lá muito disputado, mas perdeu importância com o governo Bolsonaro. Até 2019, o Planejamento elaborava o orçamento, o Congresso mexia e aprovava e o Ministério da Fazenda cuidava de gastar e economizar.

Isso acabou. A partir de 2019, o Congresso aproveitou o medo que Bolsonaro tinha do impeachment e sequestrou o controle do orçamento. Ele ainda é feito no prédio do Planejamento, mas os parlamentares tomaram o controle. O orçamento secreto, que mudou para continuar igual, é a prova disso.

O Planejamento sempre foi ocupado por pessoas de perfil técnico (ou seja, não-políticos) ou algumas vezes por políticos de carreira (exemplo: José Serra e Paulo Bernardo). Desta vez, não têm pretendentes de nenhum lado.

As razões dos políticos são as expostas acima. Mas até técnicos de fora do governo preferem ficar longe do cargo. Pode-se apontar diversos motivos, mas o mais claro é que a maioria dos profissionais renomados provavelmente prefere ficar longe da linha econômica que o governo quer imprimir. É um péssimo sinal.

A senadora Simone Tebet pode acabar no Planejamento por falta de opção, vítima do vício do PT de ocupar todo território. Tebet tem tentado atrair algum programa com verbas para o Planejamento, mas o PT rosna.