As derrotas na articulação para ser reeleito presidente do Senado ensinaram duras lições a Davi Alcolumbre. O aprendizado pode revelar-se fugaz, mas, ao menos na transição ao governo Lula, Alcolumbre mostrou estar mais afiado na arte da política. E foi recompensado por isso. Emplacou Waldez Góes no Ministério da Integração.

Reeleito senador, Alcolumbre foi decisivo para assegurar o apoio da bancada do União Brasil na Casa a Lula. Diante da potencial força da oposição no Senado, a bancada do União Brasil, com exceção de Sergio Moro, tornou-se essencial à governabilidade de Lula.

Os senadores Jaques Wagner, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues, principais articuladores do futuro governo no Senado, expuseram a Lula que Alcolumbre pode ser determinante para os planos do petista. O preço era bem alto: a pasta da Integração, cobiçada por todos os partidos aliados.

A bagunça barulhenta da bancada do União Brasil na Câmara ajudou Alcolumbre, que entregou sua parte em silêncio. Em vez de exigir algo de Lula, como seus colegas de partido na Câmara, trabalhou forte na PEC da Transição e esperou o momento certo para encaminhar o nome de Waldez. Ele seguiu uma regrinha simples, que funciona bem com o Lula de 2022: jamais pressionar o petista.

Enquanto Alcolumbre entregar o apoio da bancada do União Brasil no Senado, terá espaço privilegiado no governo Lula. Se quiser, pode aprender de perto com um bom professor do Lulismo: Renan Calheiros.