Anderson Torres foi nomeado, na segunda-feira (2), secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, por Ibaneis Rocha. Sorte do ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro ter sido acolhido pelo governador bolsonarista, pois sua vida na Polícia Federal seria solitária.
Policiais de diferentes grupos da corporação têm a mesma opinião: Torres não tratou bem a PF como ministro. Isso surpreende porque ele fez carreira ali.
Integrantes da PF citam como exemplo do abandono a preferência do governo – inclusive do Ministério da Justiça – pela Polícia Rodoviária Federal. São mencionados também os ataques sofridos por bolsonaristas, como a tentativa de invadir a sede da corporação, os tiros e as granadas de Roberto Jefferson e as agressões por golpistas acampados em frente a quartéis do Exército.
Há ainda menções à lambança no caso do terrorista que tentou explodir uma bomba nos arredores do Aeroporto de Brasília. Esse contexto deixa Torres numa situação ainda mais delicada, porque caberá a ele chefiar a Polícia Militar do DF, a mesma que pegou leve com o vandalismo golpista na capital.
Segundo as fontes, Torres só não é culpado pelo drible que o governo Bolsonaro deu na PF ao prometer reajustar o salarial e não cumprir. Uma das fontes que participou das negociações garante que o ex-ministro, entre erros e acertos, tentou convencer Bolsonaro e Paulo Guedes, mas não conseguiu.

