Pode ser uma pegadinha. Mas se o governo Lula estiver empenhado em assustar o mercado financeiro e gerar transtornos como alta no câmbio e nos juros e queda na bolsa está trabalhando direito.

Só nesta terça-feira ocorreu o seguinte:

  • Ao assumir o ministério da Previdência, Carlos Lupi falou em rever pontos da reforma feita em 2019
  • A presidente do PT, Gleisi Hoffman, disse na posse do ministro do Trabalho, que Luiz Marinho terá a missão de rever erros da reforma trabalhista, de 2017
  • Um decreto editado pelo governo deixa enormes dúvidas sobre uma revisão do marco do saneamento, aprovado em 2020

As três mudanças são consideradas importantes para a economia brasileira e as contas públicas, por isso as falas causam pânico nos agentes econômicos.

Mais recente das medidas, o marco do saneamento liberou a privatização do setor e estabeleceu 2033 como prazo final para universalização dos serviços de água e saneamento. Uma reversão da lei representaria uma quebra de contrato e afastaria investimentos na área.

O governo Lula começa em um momento de turbulência política e desconfiança na economia. Em seus primeiros dois dias, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, experimentou o peso de ver o mercado piorar após suas falas. Diante disso, não parece ser necessária ajuda dos colegas de governo para causar mais medo no mercado financeiro.

Pioras no mercado financeiro não devem ser negligenciadas. Essas oscilações aumentam o custo da dívida pública, podem turbinar a inflação e reduzir investimentos, entre outros efeitos. Quem paga é o país e o governo.