A reunião ministerial desta sexta-feira mostra que o governo Lula tem pouca margem de tolerância. Com apenas cinco dias de trabalho, com alguns ministros que assumiram há apenas dois, Lula precisou reunir os 37 numa mesa no Palácio do Planalto e fazer uma cena para indicar ordem na casa.

O gesto foi necessário para acalmar o mercado e dar um sinal ao mundo político. Mas só aconteceu porque, ao contrário do que historicamente ocorre em início de mandato, este governo não desfruta daquele período inicial de condescendência.

Lula conseguiu melhorar o clima ao falar em favor da relação com o Congresso, esquecer ideias como revisão da reforma da Previdência e avisar que ministros que cometerem “ilícitos” serão demitidos. A menção ao Congresso foi a mais importante, um sinal de paz e pedido de parceria de um poder para com o outro. Lula sabe que precisará mais de Arthur Lira do que Lira dele.

Bastou que Lula falasse o normal na reunião, para que o mercado financeiro se acalmasse. Investidores que cuidam do dinheiro dos outros são naturalmente paranoicos, ansiosos e nervosos, mas têm demonstrado desconfiança acima da média com o governo.