Na noite de segunda-feira (10), circulou pelas redes sociais bolsonaristas a informação que uma idosa teria morrido na prisão improvisada onde cerca de 1,5 mil golpistas estavam detidos após cometerem barbáries em Brasília. Era mentira. A Polícia Federal confirmou que não havia nenhuma morte.

Mesmo assim, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) reproduziu a mentira no discurso contra o decreto do presidente Lula que impôs intervenção federal na Segurança Pública do Distrito Federal. Segundo ela, a informação teria sido confirmada pela “OAB” – outra mentira.

O que circulou nas redes sociais foi uma mensagem da Ordem dos Advogados Conservadores do Brasil (OACB). Em um vídeo, publicado às 2h34 desta terça-feira no perfil da entidade, um homem que se diz advogado afirma que duas pessoas teriam morrido no ginásio que abriga os terroristas presos. É mentira.

A informação falsa chegou a tal ponto que alguns grupos inventaram até uma montagem com a foto da suposta vítima. Na verdade, a imagem da idosa que teria morrido foi tirada aleatoriamente da internet.

A OACB é um grupo liderado pelo advogado Geraldo José Barral Lima e ganhou alguma notoriedade em 2021, quando ameaçou processar qualquer pessoa que fizesse injúrias contra Jair Bolsonaro. No começo da manhã de segunda-feira, Lima prometeu atendimento gratuito aos presos.

Desde domingo, o perfil da entidade no Twitter também tem ajudado a divulgar a mentira de que o vandalismo de domingo foi culpa de “infiltrados” entre os bolsonaristas.

Apesar das confirmações oficiais em contrário, a OACB insiste na informação das mortes, que tem sido compartilhada de forma incessante em grupos bolsonaristas.

A origem da OACB

A Ordem dos Advogados Conservadores do Brasil nasceu com a insatisfação de um grupo de advogados com a ascensão de Felipe Santa Cruz à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil. Eles eram contrários ao posicionamento mais à esquerda do ex-presidente.

O grupo até angariou associados. No entanto, com o passar do tempo, as lideranças se associaram diretamente ao obscurantismo bolsonarista, com divulgação de fake news, negacionismo e pautas conservadoras nos costumes, o que afastou advogados.

O Bastidor não conseguiu contato com as lideranças da OACB para que comentassem o conteúdo da reportagem.