O Instituto Brasil-Israel condenou em nota as comparações feitas por bolsonaristas entre a prisão improvisada no ginásio da Polícia Federal, em Brasília, aos campos de concentração nazistas, aos quais judeus e outras minorias eram levadas para morrer. Segundo a entidade, a analogia é irresponsável.
“As comparações feitas entre a detenção de envolvidos em atos de violência em Brasília e campos de concentração são irresponsáveis e ignoram a gravidade do que foi, efetivamente, o Holocausto, quando prisioneiros eram submetidos a trabalho escravo, privados de comida e passavam frio. Caso não morressem neste processo de tortura, eram levados às câmaras de gás”, diz a entidade.
O grupo também lembra que as prisões eram baseadas apenas no fato de os indivíduos não serem arianos. “Minorias eram excluídas simplesmente por ser quem eram. Quando judeus e outros grupos foram levados para campos de concentração, não havia qualquer envolvimento com movimentações antidemocráticas. Ao contrário. Foi justamente a supressão da democracia – desejada pelos golpistas detidos em Brasília – que fez nascer os campos de concentração na Alemanha Nazista”, diz a nota.
Grupos bolsonaristas têm espalhado a versão de que os presos em Brasília estariam sendo submetidos a situações degradantes, como falta de comida, acesso a banheiros e sem atendimento médico. Também inventaram mortes no local. Não há nenhuma prova de nada disso.
A Polícia Federal nega tudo. Afirma que a situação tem sido acompanhada pelo Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil e outras entidades. Muitos estão com acesso a seus telefones celulares, de onde saem os vídeos que são usados para divulgar os supostos “maus-tratos”.
Entre mingo e segunda-feira, mais de 1,5 mil pessoas foram detidas pela Polícia Federal em Brasília. Elas são suspeitas de terem participado ativamente dos atos de depredação na Praça dos Três Poderes.

