Passados 11 dias dos ataques golpistas em Brasília, apoiadores de Jair Bolsonaro estão completamente perdidos. As principais lideranças dos movimentos favoráveis ao ex-presidente praticamente sumiram das redes sociais, seja por vontade própria ou pelas ordens de suspensão das contas expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, deixando seguidores sem rumo.
A falta de foco nos grupos, que há anos se alimentam de notícias falsas, abre espaço ilimitado para a proliferação de discursos de ódio, teorias da conspiração e antissemitismo. As teses normalmente são criadas por pessoas com pouco ou nenhum conhecimento da lei e surgem no meio de discussões acaloradas sem base científica.
Se antes os bolsonaristas esperavam definições de figuras como Carla Zambelli, Nikolas Ferreira ou Paulo Figueiredo, agora os grupos se retroalimentam. Uma notícia mal compreendida vira motivo de sentimentos variados, da fúria às risadas, passando por choro coletivo.
Desde o fim do primeiro turno, o Bastidor tem acompanhado de perto os relatos nessas comunidades, sobretudo no Telegram. Apesar das ordens de suspensão determinadas por Alexandre de Moraes, muitos grupos ainda permanecem ativos, seja porque não foram descobertos ou porque os administradores mudam os nomes dos canais.
Nos canais em que há chats abertos são milhares de mensagens todos os dias, inflamando o medo de que a ascensão do presidente Lula ao poder implicaria na instauração de uma ditadura de esquerda.
Há muito discurso de ódio envolvido nesses grupos. Foi neles onde se disseminou com mais força a falsa tese de que a depredação em Brasília foi obra de infiltrados, não de bolsonaristas.
As novas celebridades
Na falta de lideranças, nesses 10 dias, figuras que já tinham alguma notoriedade no meio da extrema-direita começaram a aproveitar e se sobressair diante de outros nomes mais tradicionais. Um deles é Gustavo Gayer.
Eleito deputado federal por Goiás, o influenciador digital teve a iniciativa de criar um site para pressionar senadores a votarem em Rogério Marinho para a presidência do Senado. Se você topou com a hashtag #foraPacheco nos últimos dias, é certo que foi daí que surgiu.
Outro nome que, por decisão judicial, deveria estar sido banido das redes sociais no Brasil, mas segue ativo nessas comunidades é Allan dos Santos. Foragido nos Estados Unidos, Santos segue mandando mensagens que são compartilhadas em grupos de extremistas.
Num canal, Santos envia notícias, vídeos e links para outras comunidades no Rumble e em outras redes sociais onde permanece com canais abertos.

