O advogado Frederico Munia Machado é uma peça central na manutenção da captura empresarial do setor de mineração no governo. Ele articula para retornar ao cargo de procurador-chefe da Agência Nacional de Mineração, a ANM, posição que ocupou durante o governo de Michel Temer. O trabalho político seguiu firme mesmo após o Bastidor noticiar os riscos associados ao retorno do advogado ao cargo. Agora, até o diretor-presidente da ANM, Mauro Henrique Sousa, aliado de Munia Machado, resolveu se expor perante o governo de Lula para recrutar os serviços de um advogado que ascendeu politicamente nas gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Como o Bastidor noticiou em diversas oportunidades, o Ministério de Minas e Energia e, em especial, a ANM estão sob forte influência de gigantes da área, como a Vale, e de escritórios que atuam a favor dela, como a banca Pinheiro Neto.

Segundo servidores e agentes de mercado, as decisões tomadas na agência beneficiam, com frequência, a Vale e outras grandes mineradoras. Essas decisões são tomadas por diretores e funcionários indicados aos respectivos cargos com apoio das empresas e de políticos que agem em sintonia com elas – notadamente, integrantes do MDB e do PSD que são de Minas Gerais, estado cuja economia depende do setor.

O aval da área jurídica da ANM, como em qualquer agência, é necessário para respaldar as decisões dos diretores. Daí a centralidade do procurador-chefe da ANM; advém dela o amplo apoio para que Munia Machado volte ao cargo.

Munia Machado já trabalhou no Pinheiro Neto, mas é servidor concursado da Advocacia-Geral da União. Ele atuou no DNPM antes que o órgão se tornasse a ANM. No governo Bolsonaro, virou secretário Especial do Programa de Parceria de Investimentos. Foi exonerado após Lula assumir.

Em ofício ao qual o Bastidor teve acesso, o atual diretor-presidente da ANM, Mauro Sousa, pede à AGU que libere Munia Machado para ocupar o cargo de procurador-chefe. Sabe-se quem ganha se ele voltar à posição. Sabe-se também quem perde.