Nicola Miccione, chefe da Casa Civil do Rio de Janeiro, tem sido o responsável por aproximar projetos do governo do Rio de Janeiro ao orçamento da União. Miccione chefia a burocracia do governo Claudio Castro desde o primeiro mandato. O advogado foi empossado em setembro de 2020.
Segundo fontes do PT e outras da política fluminense ouvidas pelo Bastidor, o chefe da Casa Civil fluminense participa ativamente das reuniões entre o governador e representantes do governo federal, fazendo críticas e sugestões. O mesmo vale com indicações para cargos na gestão Castro.
A confiança em Miccione, que é funcionário de carreira do Banco do Nordeste, chegou ao ápice com a privatização da Cedae, mesmo com algumas suspeitas. Uma delas foi a contratação – posteriormente anulada – da consultoria que pertence a um ex-sócio.
A Quanta Consultoria Ltda foi contratada por 36 milhões de reais pela Cedae para elaborar projetos para centrais de tratamento. O dono da companhia é José de Ribamar Sousa, que foi sócio de Miccione em outra empresa, a Parque Eólico dos Sonhos Ltda.
Em nota (leia a íntegra no fim desta notícia), a Cedae informou que suspendeu a contratação antes de qualquer pagamento à empresa. Justificou a mudança dizendo que “optou por adquirir energia diretamente no mercado livre, que oferece condições financeiras favoráveis”.
Outro tropeço na trajetória de Miccione foi a contratação de uma das filhas de Fabrício Queiroz para o governo do Rio. Evelyn Melo de Queiroz, investigada nas ‘rachadinhas’ de Flávio Bolsonaro, receberia 2,4 mil reais mensais, mas foi exonerada poucos dias depois de a informação vir a público.
O trabalho do chefe da Casa Civil fluminense é complementar à interlocução política feita por André Ceciliano, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio e auxiliar do ministro Alexandre Padilha, e pelo deputado federal e ex-prefeito de Maricá Washington Luiz Cardoso Siqueira, o Quáquá.
Enquanto Ceciliano e Quáquá discutem com o governo federal o que fazer, Miccione cuida de como os interesses das duas partes serão complementares. O trio é importante porque Castro foi ligado ao bolsonarismo nos últimos quatro anos, apesar de governar com a ajuda do petista Ceciliano na Alerj.
A aproximação do governador fluminense com o PT não surpreende. Desde o começo da disputa eleitoral, em 2022, fontes da à esquerda da política do Rio afirmavam que topariam conversar com Castro, desde que ele se afastasse de Jair Bolsonaro.
Isso está acontecendo porque o RJ está falido e precisa de dinheiro e da compreensão da União.
Atualização às 18h40 de 2 de fevereiro de 2022, para inclusão de informação: A Cedae enviou nota ao Bastidor, após a publicação da notícia, para informar que “suspendeu o chamamento que fez para empresas apresentarem projetos de redução de energia, como o apresentado pelo consórcio Quanta/Open, sem que houvesse qualquer desembolso da Companhia. A Cedae optou por adquirir energia diretamente no mercado livre, que oferece condições financeiras favoráveis. Estamos à disposição para qualquer esclarecimento”.

