A força do orçamento secreto e do apoio da base governista garantiu a Arthur Lira a maior votação já registrada para a presidência da Câmara dos Deputados. Foram 464 votos pela recondução do deputado do PP de Alagoas, que irá comandar a casa por mais dois anos. Mais cedo, Rodrigo Pacheco também foi reconduzido para o comando do Senado.
Lira disputou contra outros dois candidatos, Chico Alencar (PSOL-RJ) e Marcel van Hattem (Novo-RS). Embora Alencar faça parte da base do governo, ele não teve qualquer apoio para a disputa, recebendo apenas 21 votos. Van Hattem representava a bancada de oposição, mas teve ainda menos apoio, com 19 votos. Cinco parlamentares votaram em branco.
O presidente da Câmara se manteve no cargo com o apoio principalmente da base governista, apesar das críticas feitas pelo presidente Lula a ele durante a campanha presidencial. A principal queixa do então candidato contra o deputado era a manipulação do orçamento secreto.
No fim de dezembro, quando o Supremo Tribunal Federal considerou que o orçamento secreto era inconstitucional, chegou-se a questionar se Lira poderia manter o poder que tinha sobre os colegas. Mas ajustes no método mantiveram as coisas no mesmo lugar.
Nos primeiros dois anos à frente da Câmara, Lira se notabilizou pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Engavetou centenas de pedidos de impeachment contra o chefe do Executivo, sem sequer responder os motivos pelos quais não deu andamento às ações.
Um ponto de inflexão a favor de Lira na base governista foi a atuação dele e de Rodrigo Pacheco depois dos atos golpistas de 8 de janeiro. No discurso de posse, o deputado criticou a ação dos criminosos e ressaltou a necessidade de buscar o apaziguamento da população.

