Com 239 votos, o deputado Jhonatan de Jesus (Republicanos-RR) foi escolhido nesta quinta-feira (2) novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O parlamentar vai ocupar a vaga que era de Ana Arraes, que se aposentou em 2022. Ele ainda precisará passar pelo Senado para ser oficializado.
Jhonatan competiu com a deputada Soraya Santos (PL-RJ) e com o ex-deputado Fábio Ramalho (MDB-MG), que não se reelegeu. Soraya fez discurso defendendo a participação de mulheres no TCU, cuja composição atual é formada apenas por homens. Já Ramalho apelou para a bondade dos ex-colegas para mantê-lo em Brasília, pois está sem mandato.
“O foco é o parlamento, é resgatar toda a origem do Tribunal de contas, assessorar e orientar os prefeitos. Foi para isso que eu pedi o voto dos colegas”, disse Jhonatan logo depois de ser escolhido pelos deputados.
Jhonatan só foi escolhido porque seu padrinho é o presidente da Câmara, Arthur Lira. Uma de suas primeiras missões será participar do julgamento das contas do último ano do governo Jair Bolsonaro – e, principalmente, do orçamento secreto.
Como o Bastidor mostrou, Jhonatan foi um dos principais beneficiários desta modalidade de emenda, na qual as verbas eram liberadas e aplicadas sem transparência. A prática foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
O TCU é formado por nove membros, sendo três indicados pelo Senado, três pela Câmara e um pelo presidente da República. Embora o tribunal não seja vinculado ao Poder Judiciário, os ministros recebem vantagens semelhantes aos de ministros das cortes superiores, com aposentadoria compulsória aos 75 anos.
Filho do senador Mecias de Jesus e deputado de apenas um mandato, Jhonatan tem 39 anos. Caso permaneça no cargo até a aposentadoria compulsória, será ministro do TCU pelos próximos 36 anos.

