Ney Bello, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, ganhou uma oportunidade de ouro ao ser sorteado para julgar o caso Wallace Leandro no Comitê Olímpico Brasileiro.

Hoje, ele suspendeu, como conselheiro de ética do Comitê Olímpico Brasileiro, o jogador de vôlei de competições até o fim do processo ético iniciado após o atleta perguntar se seus seguidores no Instagram atirariam em Lula.

Bello tem história com o PT. No passado, foi próximo do partido. É amigo de Flávio Dino, ministro da Justiça. Afastou-se durante o governo Jair Bolsonaro, mas logo se reaproximou da esquerda. O desembargador quer ser ministro do Superior Tribunal de Justiça. Integrou a última lista tríplice enviada a Jair Bolsonaro. Foi preterido por Messod Azulay e Paulo Domingues.

O esforço político de Bello para mudar de cargo rende piadas nos tribunais de Brasília. Alguns brincam que o desembargador disputa vaga a secretário-geral da ONU.

Um desembargador no COB?

Ney Bello foi eleito para o conselho de ética do COB em 2018, para um mandato de quatro anos. Foi reeleito em abril do ano passado. O colegiado é formado por cinco membros escolhidos pela Assembleia Geral do COB.

Do quinteto, ao menos três conselheiros são independentes, ou seja, vêm de instituições de governo ou de organizações da sociedade civil ligada ao esporte. Além de Bello, integram o conselho Sami Arap (presidente), Joanna Maranhão, Guilherme Faria da Silva e Humberto Panzetti.

Segundo o estatuto do comitê, “os conselheiros não farão jus a remuneração pelo desempenho de suas atividades, a exceção de contrapartidas disponibilizadas pelo Comitê Olímpico do Brasil em face de comparecimento em reuniões ou sessões extraordinárias de julgamento em que participarem, de forma presencial ou telepresencial, no desempenho de suas funções”.

Leia a decisão proferida por Ney Bello contra o jogador de vôlei Wallace Leandro de Souza: