Nem a Swat vai conseguir salvar Marcos do Val de Alexandre de Moraes. Em decisão nesta sexta-feira (3), o ministro do Supremo Tribunal Federal determinou a abertura de apuração para descobrir o que realmente aconteceu e se o parlamentar cometeu falso testemunho, denunciação caluniosa ou coação.

O senador do Podemos, conhecido por ser fã da força especial das polícias americanas, disse na madrugada de quinta-feira (2) que renunciaria ao cargo após contar nas redes sociais ter recebido proposta do ex-deputado federal Daniel Silveira para gravar Moraes. A trama seria um pedido de Bolsonaro, segundo do Val. Ele disse ter procurado o ministro do STF para denunciar os fatos e que Moraes ficou surpreso. Marcos do Val sabia que a história sairia na revista Veja. De acordo com a revista, ele confirmou as informações.

No meio da manhã de quinta-feira (2), em entrevista à GloboNews, Marcos do Val mudou a versão. Colocou apenas na conta de Silveira o plano contra Moraes. Afirmou que Bolsonaro só ouviu. Também acrescentou que o ministro do STF nada fez após a denúncia.

Nesta sexta-feira (3), em entrevista à CNN mudou novamente a história. Se antes o argumento para divulgar o plano era impedir um estratagema golpista, o objetivo passou a ser tirar Moraes da investigação sobre o 8 de janeiro.

Porém, disse o senador, é preciso convocar uma CPI para que ele mostre tudo o que sabe, inclusive documentos e mensagens, sem punições.

Imprensa quase cai de gaiata

Para investigar as histórias de do Val, Moraes ordenou que CNN, GloboNews e Veja forneçam as gravações das entrevistas do senador. Uma primeira versão da decisão do ministro previa multa diária de 100 mil reais caso os veículos jornalísticos descumprissem a ordem.

O mesmo valeria para a Meta, dona de Facebook e Instagram, redes sociais usadas por Do Val para contar sobre a trama golpista. Essa versão da decisão foi posteriormente anulada. Um segundo documento foi divulgado sem as multas.

Leia a decisão proferida nesta sexta-feira (3) por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal: