O corregedor-geral eleitoral, Benedito Gonçalves, negou nesta terça-feira pedido da defesa de Bolsonaro para retirar a conhecida “minuta do golpe”, de uma ação contra Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral. Os argumentos usados por Gonçalves mostram abertura para algo maior, a inclusão da tentativa de golpe revelada pelo senador Marcos do Val, na semana passada, em alguma das 16 ações que correm contra Bolsonaro.

Gonçalves não concordou com o argumento de que a inclusão posterior de documentos na ação atrapalha a defesa e o andamento do processo. A ação no caso foi movida pelo PDT e pede punição a Bolsonaro por mentir sobre o sistema eleitoral a embaixadores, no ano passado. A minuta foi encontrada em janeiro na casa do ex-ministro Anderson Torres.

Segundo Gonçalves, os fatos “não impedem que sejam admitidos no processo e considerados no julgamento elementos que se destinem a demonstrar desdobramentos dos fatos originariamente narrados”.

Ele justificou a inclusão citando que um “clima de articulação golpista ainda ronda as Eleições 2022”. Disse ainda que esse cenário conta com “atos de terrorismo”, “indícios de desobediência” das polícias, “atos e omissões graves de agentes públicos” e um “plano para espionar e gravar” o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes.

A referência ao “plano para espionar e gravar” é uma referência explícita ao caso de Marcos do Val. O senador disse que Bolsonaro e o então deputado Daniel Silveira tentaram cooptá-lo para grampear Moraes como parte de um plano mirabolante para dar um golpe de estado.

Depois, ele tentou mudar a versão duas vezes, para apagar a participação de Bolsonaro. Em seguida, foi convocado para depor à PF. Benedito Gonçalves pode requerer a inclusão do depoimento em alguma das ações que correm no tribunal – o que pode complicar ainda mais Bolsonaro, pois reforça articulações suas para um golpe.

Benedito Gonçalves proferiu inúmeras decisões contrárias aos interesses de Bolsonaro, como quando impediu o uso, na campanha, de imagens captadas durante o Bicentenário da Independência (leia aqui e aqui) e as viagens oficiais ao funeral de Elizabeth II e à Assembleia-Geral da ONU.