Integrantes do governo com interlocução com ministros do Supremo Tribunal Federal avisaram o presidente Lula que estão certos de a inelegibilidade de Jair Bolsonaro sair ainda este ano.
A informação no governo é de que o Tribunal Superior Eleitoral está na reta final da instrução de ações que tratam do abuso de poder na convocação de embaixadores em julho do ano passado. Bolsonaro usou a reunião para levantar falsas suspeitas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral
No mesmo processo de inelegibilidade foi incluída a minuta do golpe encontrada na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. O corregedor-geral eleitoral, Benedito Gonçalves, aceitou a inclusão, contra argumentos da defesa. A chancela da liminar do ministro estava prevista para quinta-feira (9), mas foi adiada.
Segundo auxiliares de Lula, também será incluída no processo eleitoral contra Bolsonaro a aloprada entrevista de Marcos do Val à Veja, onde o senador admitiu ter sido sondado pelo ex-presidente para a execução de um plano golpista, no qual Lula não tomaria pose, e Alexandre de Moraes seria preso.
A percepção sobre a inclusão da entrevista existe no governo Lula porque Benedito já pavimentou o caminho jurídico para o ato. Ao negar pedido do ex-presidente para excluir a minuta golpista do processo no TSE, o corregedor-geral afirmou que a adição de documentos após o início do processo é justificada pelo clima de golpismo que ronda o país.
Dentro do governo, embora se considere que Bolsonaro deveria ser preso, há o temor de que ele se torne vítima e mimetize a história de Lula – que, preso, adotou o tom de perseguido e voltou à Presidência. Diante do risco, é maior o grupo que defende a inelegibilidade como a melhor saída para o caso.

