O deputado Eduardo Bolsonaro tenta articular um grupo majoritário dentro do PL que abrace um projeto de lei que, na prática, anule o decreto de restrição à compra de armas e munições editado por Lula. Pretende com isso pressionar inicialmente Arthur Lira e Rodrigo Pacheco mais adiante.

Ao editar o decreto sobre armas no primeiro dia de mandato, Lula revogou um conjunto de decretos do pai do deputado, que afrouxava o controle e facilitava o acesso a armamentos e munições por civis.

Por enquanto, Eduardo Bolsonaro conta com o apoio apenas da parte da bancada mais ligada a Jair Bolsonaro. Alguns parlamentares do PL, embora até identificados com a direita, estão abertos a negociar com setores mais ao centro e são contrários ao liberou geral das armas.

É este segmento que Eduardo Bolsonaro tenta atrair, para ter maioria no PL e pressionar Arthur Lira a pautar a discussão na Câmara.

Sem garantir o apoio do PL, Eduardo Bolsonaro sabe que dificilmente terá sucesso na Câmara e menos ainda no Senado. O partido tem a maior bancada de deputados (99) e a segunda maior de senadores (12).

O decreto de Lula que Eduardo quer anular suspendeu novos registros de armas por caçadores, atiradores e colecionadores (CACs) e particulares; reduziu os limites para compra de armas e munição; suspendeu novos registros de clubes e escolas de tiro; suspendeu a concessão de novos registros para CACs; e criou grupo de trabalho para propor nova regulamentação para o Estatuto do Desarmamento, de 2003.

Não tendo vitória na edição de um projeto de lei, o deputado tentará impor derrotas na eventual tentativa de atualização na regulamentação no Estatuto do Desarmamento, que poderá ser proposta pelo governo.