Cada vez mais isolado em Brasília, mesmo entre os padrinhos políticos e empresariais que apoiaram sua nomeação, o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração, Mauro Sousa, foi à Casa Civil pedir ajuda. Tenta emplacar nomes de confiança na ANM, apesar da resistência do governo Lula. Os indicados desempenharam funções de destaque na gestão de Jair Bolsonaro. O Planalto não se comprometeu com os pedidos de Sousa.

Um dos nomes na mesa é o do advogado Frederico Munia Machado, um ator importante no setor de mineração e servidor da Advocacia-Geral da União. Ele quer voltar a ser procurador-chefe da ANM. O empenho para que ele retorne à agência é tamanho que Sousa conseguiu uma espécie de nomeação secreta, embora temporária, para o aliado.

A designação para Munia Machado atuar na agência não está no Diário Oficial da União, como é a praxe e, segundo especialistas, como determina a lei. Ela está escondida numa portaria interna do governo, de 17 de janeiro, pela qual o advogado passa a ficar temporariamente na agência. Graças ao expediente de Sousa, Munia Machado, mesmo sem ter obtido o cargo, já voltou a despachar na AMN.

A situação é tão esdrúxula que servidores da própria agência só descobriram o retorno provisório do colega quando a ANM divulgou um afastamento temporário de Munia Machado. Ele viajará a Toronto, no Canadá. Ficará na cidade de 4 a 10 de março, participando do PDAC 2023 – Mineral and Convention. Ao contrário da nomeação secreta e temporária, essa viagem apareceu no Diário Oficial.

Munia Machado tem forte ligação com o governo Jair Bolsonaro, especialmente com o ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Em abril de 2019, o advogado já estava lotado na Presidência da República, integrando um grupo de trabalho focado em energia e vinculado à Casa Civil.

No grupo, Machado foi galgando seu espaço até ser nomeado secretario de parcerias focado no setor de petróleo. Essa mudança foi o salto necessário para que ele fosse nomeado secretário especial adjunto do Programa de Parcerias de Investimentos, pasta responsável pela privatização de estatais e outros ativos da União durante a gestão Bolsonaro.

Questionada pelo Bastidor sobre a nomeação secreta, a ANM afirmou que “Machado se encontra em exercício provisório na Procuradoria Federal Especializada junto à ANM, desde 17 de janeiro de 2023, conforme autorizado pela Portaria nº 26/PGF/AGU, de 10 de janeiro de 2023, publicada no Suplemento A do Boletim de Serviço Eletrônico da AGU nº 2, de 11 de janeiro de 2023”.