O ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de liberdade do ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, nesta quarta-feira (1º). Ele é suspeito de ter sido conivente com os golpistas que depredaram as sedes dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro.
Moraes considerou que a liberação de Torres coloca em risco as investigações sobre os responsáveis pelos atos antidemocráticos. A Procuradoria-Geral da República também se posicionou contra a soltura dele.
Um dos agravantes da situação de Torres é a minuta de um decreto para a instauração de Estado de Defesa no Tribunal Superior Eleitoral. O documento foi encontrado pela Polícia Federal, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa dele, dois dias antes da volta do ex-secretário a Brasília.
Segundo a PGR, a minuta estava guardada em uma pasta com o símbolo do governo federal. Antes de assumir o posto no governo de Brasília, Torres era ministro da Justiça e Segurança Pública de Jair Bolsonaro.
Também pesou para a manutenção a suposta tentativa de Torres de esconder provas que poderiam incrimina-lo, como o celular pessoal, que não estava com ele ao desembarcar no Brasil. O aparelho foi deixado nos Estados Unidos, onde ele estava com a família.
Os indícios apontados pela PGR dão a entender que Torres pode ser o mais importante elo da participação de políticos do governo passado nas ações golpistas de janeiro. A soltura, portanto, foi impedida devido ao risco de que ele tente destruir outras provas, já que ainda há diligências em andamento.
O inquérito no qual Torres é investigado também apura a conduta do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que não está preso, mas segue afastado das funções. No momento em que a invasão aos prédios públicos acontecia, ele anunciou a demissão de Torres.
Na decisão, o ministro enfatiza que os dados colhidos até agora apontam indícios de que Torres e Ibaneis tinham pleno conhecimento das intenções violentas dos grupos que estavam acampados em Brasília desde o fim das eleições. Mesmo assim, não agiram de forma contundente para debelar as manifestações, que ocorriam em frente ao Quartel General do Exército, na capital federal.
Leia abaixo a íntegra da decisão de Moraes a respeito de Torres:

