Graças ao súbito empenho de Arthur Lira, o autor do requerimento que cria a CPI das Americanas, André Fufuca, correligionário do presidente da Câmara, conseguiu 216 assinaturas e protocolou o pedido de instalação da comissão.

A mesa diretora da casa ainda verificará o número. É possível que a quantidade diminua se as assinaturas de deputados já sem mandato, encerrado no início do ano, sejam ignoradas.

Na teoria, a comissão, se instalada, vai investigar o rombo contábil de 40 bilhões de reais no balanço da rede varejista, mas, como informou o Bastidor, os parlamentes querem promover uma devassa.

Há planos de convocar os principais acionistas Jorge Paulo Lehmann, Beto Sicupira e Marcel Telles, avançar sobre empréstimos que a empresa fez em bancos públicos e até analisar as contas de outras empresas do grupo 3G, como a Ambev.

Há interesses políticos e econômicos por trás da CPI. O governo e oposição são a favor da instalação da comissão. Entendem que os empresários promoveram eventos que ora atacavam Lula ora, Bolsonaro.

Ninguém sabe a razão do interesse de Lira na criação da CPI – ou na criação da aparência de que a CPI será instalada. É um jogo de gente grande. Inclui banqueiros que querem usar o Congresso para enfraquecer as Americanas e influenciar os rumos da disputa judicial sobre o futuro da empresa – e de suas dívidas.