Arthur Lira afirmou na reunião de líderes nesta terça-feira (21) que não aceitou a tentativa de acordo proposta pela articulação do governo para resolver a disputa sobre a tramitação das medidas provisórias.

O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) havia sugerido aprovar uma emenda à Constituição com o retorno da tramitação com comissão mista, como antes da pandemia. Haveria um revezamento entre Câmara e Senado na presidência e na relatoria dos projetos.

Lira não apenas rejeitou o acordo. Decidiu enviar um recado para pressionar o governo.

Ele avisou o governo que não irá mais à China, na comitiva de Lula prevista para o fim de semana. E passou a fazer críticas à postura do governo de não lhe enviar a proposta em discussão sobre o novo arcabouço fiscal.

Além presidente da Câmara, o do Senado, Rodrigo Pacheco, recebeu o ministro Fernando Haddad (Fazenda) para uma conversa. Nenhum deles, porém, obteve a proposta detalhada do que pretende ser a nova regra fiscal.

Com a postura, Lira espera que o governo perceba o que para ele é o erro de Lula: se meter numa discussão, que como o presidente da Câmara avisara, é do Congresso. O governo, porém, teme que o impasse avance e prejudique suas MPs.

A decisão de não ir à China também prejudica a imagem que Lula gostaria de passar ao país aliado. Segundo auxiliares do presidente, há uma questão cultural chinesa de valorizar a união de seus parceiros na hora de negociar.

Levar empresários, lideranças das bancadas, ministros e os chefes do Legislativo significaria um gesto de deferência do Brasil em relação ao maior parceiro comercial do país.

As lideranças do PT e do governo na Câmara tentaram dizer a Lira que a tentativa do governo de encontrar uma solução se deu por pressão dos senadores, mas que a bancada do partido e a base na Câmara apoiam Lira em sua cruzada pela manutenção da atual tramitação das MPs.