O Conselho de Administração da Petrobras aprovou na quinta-feira (23) o plano de reajuste de salários de toda a diretoria da empresa. De acordo com a companhia, o valor dos salários atuais vai subir 43,88%.
O aumento considera a inflação de 2013 a 2022, período em que os vencimentos do grupo ficaram congelados. Com isso, o novo presidente, Jean Paul Prates, passará a receber quase R$ 168 mil mensais. A diretoria da Petrobras é a mais bem paga entre todas as empresas públicas ou de economia mista.
Apesar da aprovação, o reajuste não será imediatamente aplicado. O aumento depende da aprovação também da Assembleia Geral Ordinária, marcada para abril. Nela, os acionistas vão definir se aceitam a proposta ou não.
Embora o governo Lula já tenha quase quatro meses, as mudanças nas diretorias das estatais e nos conselhos de administração não foram concluídas. Com isso, parte dos conselheiros que votou a favor do aumento foi indicada por Jair Bolsonaro.
Em nota, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) se posicionou contra o reajuste, afirmando que houve, sim, aumentos à diretoria, de 2013 a 2022 e que a nova alta representaria ganhos acima da inflação aos diretores.
Segundo a entidade, só os funcionários da base é que seguem sem aumento real desde 2016. Eles dizem que houve perda salarial de 3,8%, em relação a inflação no período.
A FUP também diz estranhar o motivo de os conselheiros que estão prestes a deixar a empresa tenham decidido conceder aumento aos sucessores. “Interessante que os votos a favor desse aumento absurdo tenham vindo de pessoas que estão no final de seu mandato. Parece que pretendem prejudicar a imagem do Prates, que assumiu há menos de 2 meses a presidência da empresa”, diz Deyvid Bacelar, coordenador da FUP.

