O assunto é tratado com cuidado nas rodas políticas. O medo dos aliados de centro e centro-direita é que, ao se falar em voz alta, o tema se torne uma profecia autorrealizável. Trata-se do risco da ingovernabilidade no Lula 3, a exemplo do que foi Dilma 2.

A situação do governo é, segundo um deputado aliado do MDB, ruim. Em menos de cem dias, os sinais de deterioração política são muitos. Vão desde a dificuldade do governo de formar maioria no Congresso, desgaste com parlamentares por não liberar cargos e verbas, pressão do PT por um governo mais petista até a tentativa de golpe em 8 de janeiro, que teve a simpatia de setores das Forças Armadas.

Na avaliação deste experiente deputado, o governo ainda enfrenta o desgaste de uma crise econômica, com desemprego em alta, inflação alta e juros altos, além dos atritos com o Banco Central e o mercado, e a ameaça de crise institucional entre Câmara e Senado.

Partidos como o PL e PP nunca foram de oposição, mas seus experientes chefes decidiram investir na distância do governo por considerarem que saem ganhando. “Se o governo estivesse bem, ninguém resistiria”, diz o deputado do MDB.

Para o deputado, Lula se comporta como a ex-presidente Dilma Rousseff se comportou em 2015, após ter sido reeleita: muito menos aberto a ouvir opiniões divergentes e, como já passou pela Presidência, age como se tudo soubesse.

O fim do governo de Dilma, todos sabem, foi o impeachment. Lula, porém, é mais experiente, mas o risco de ficar refém do Congresso, e de sucessivas crises, e não conseguir fazer um bom governo é real.