Ao insistir contra as regras de tramitação das medidas provisórias, Arthur Lira perdeu a fidelidade de um grupo de 142 deputados, integrantes das bancadas do MDB, PSD, Podemos, Republicanos e PSC. Eles agora formam um bloco. Juntos, se aproximam do governo, mas, segundo seus integrantes, não são necessariamente da base de apoio.

Não são da base e também não são fiéis a Lira. Uma das decisões do bloco, liderado pelo deputado Fábio Macedo, do Podemos do Maranhão e próximo ao ministro Flávio Dino (Justiça), é, por exemplo, se alinhar a Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, e indicar os membros de seus partidos paras as comissões mistas que analisarão as MPs —a medida, o leitor sabe, é rejeitada por Lira.

O governo sabe que não poderá contar em todas as matérias com o novo bloco. Ainda assim, quando precisar, pode negociar com os parlamentares, que, somados às bancadas governistas (138 deputados), contam 280 parlamentares. O número, contudo, não permite nem a aprovação de uma emenda à constituição. São necessários 308 votos.

A maioria do governo sempre será flutuante. O restante do parlamento, como a federação PSDB/Cidadania, declaradamente na oposição, pode se juntar ao governo a depender do assunto.

Lira só poderá contar com a fidelidade de seu PP, do PL e do União Brasil – bancadas que somam 205 deputados.

O problema de Lira é que as legendas fazem declarada oposição a Lula e, portanto, dificilmente ele poderá vender aprovações de projeto de leis, emendas à Constituição e de reformas ao governo. Assim, o presidente da Câmara corre o risco de perder influência. Manterá, para a boa relação, o controle sobre a agenda da casa.