O governo vai aproveitar a votação do novo arcabouço fiscal para testar o comprometimento de Arthur Lira e sua capacidade de controle sobre os seus, apesar das dificuldades que ele enfrenta na Câmara.
Uma maneira de prestigiar o presidente da Câmara será deixar em suas mãos a escolha do relator para as novas regras fiscais. Lira deve escolher um nome do seu partido, o PP, mesmo fazendo oposição ao governo.
Quatro deputados da legenda disputam o trabalho: Fernando Monteiro (PE) e André Fufuca (MA), o primeiro próximo a Lira e o segundo, a Ciro Nogueira, presidente da legenda, além de Claudio Cajado (BA) e Julio Lopes (RJ).
Lula quer confiar no aliado, mas pediu à sua articulação que fique de olho nas escolhas e, sobretudo, nos rumos que o futuro relator pretenderá dar ao projeto da Fazenda. A expectativa é que haja poucas mudanças, nada que comprometa o essencial do projeto.
Uma preocupação do governo é a capacidade – ou disposição – de Lira em segurar a nova oposição, formada por bolsonaristas que utilizam métodos “heterodoxos”.
Teme-se que os tumultos travar votações e se tornem foco do debate público e atrasem a tramitação das matérias de interesse do governo.
A forma como passará o arcabouço pela Câmara vai determinar se o governo valoriza a aliança com o presidente da Câmara. Lula quer que Lira controle mais que a agenda; espera controle sobre sua base, que inclui a oposição.

