Em uma sessão, em fevereiro, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aplicou multas que ultrapassam tudo o que foi determinado a empresas em 2021 e 2022 somados. Foram R$ 32,9 milhões em multas a três empresas, contra R$ 22 milhões na soma dos dois anos anteriores.
O Coaf nasceu em 1998, com o objetivo de combater, principalmente, a lavagem de dinheiro. Desde 2006, a entidade aplica multas administrativas a empresas e pessoas físicas (gestores) que fazem operações suspeitas. Contudo, na maior parte desse período, os valores foram irrisórios, dificilmente passavam de R$ 1 milhão por ano.
A exceção foi 2018, quando o Coaf acumulou R$ 77,8 milhões em multas aplicadas. A partir de 2019, com a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, as atividades se reduziram drasticamente.
Foi neste mesmo ano que os conselheiros identificaram transações suspeitas de Fabrício Queiroz, que indicaram a possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro ter praticado o crime de rachadinha, quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio.
O principal fator que contribuiu para a queda de eficácia do Coaf foi a indefinição provocada pelo então ministro Sergio Moro, que queria a entidade sob a aba do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Depois de meses de discussão, o Coaf voltou para o Ministério da Fazenda.
Embora seja administrativamente subordinado à Fazenda, o Coaf tem independência funcional. Além de terem mandatos fixos, seus integrantes não precisam seguir as determinações de quem ocupa o Palácio do Planalto.

