É um erro acreditar que são adversários os dois maiores blocos formados nesta legislatura na Câmara —um puxado por MDB, Republicanos e PSD; e o outro por PP, União Brasil, PSB e PDT. Reforçam, ao contrário, o isolamento do partido do governo, o PT, e o de Jair Bolsonaro, o PL.
Os grupos —um com 142 deputados e outro com 173 — expõem a necessidade de Lula, analisa um experiente deputado do PP, de incluir mais efetivamente – e não apenas com cargos – o centro e a centro-direita nas decisões políticas de sua administração. É a tão falada “frente democrática”, que Lula evocou durante sua campanha eleitoral.
Ao escantear, por exemplo, a ministra do Planejamento, Simone Tebet,do núcleo de decisões e aconselhamento, dando preferência ao PT, na avaliação da base aliada Lula passa a mensagem que “o centro existe apenas para dar votos e não para opinar e governar junto”. Deste jeito, fala o deputado, a articulação do governo não dará certo.
Apenar dos alertas, ele considera que a gestão petista ganha com a formação do novo bloco, porque impediu que o PP, partido do presidente da Câmara, fosse jogado para os braços do PL de Bolsonaro.
Novamente o governo ganha, continua o parlamentar, porque ao isolar o PL com seus 99 deputados, o novo bloco libera Arthur Lira das pressões dos grupos mais radicais de dentro da casa.
Ao mesmo tempo, Lira precisará, segundo essa avaliação, moderar suas ações garantir maioria. Não poderá emparedar a administração petista, já que precisaria compor com o outro bloco para formar maioria.

