Uma portaria assinada neste mês pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, contrariou integrantes da articulação política do governo Lula e parlamentares do PT.
Com um investimento de R$ 1,6 bilhão, o ministério pretende credenciar 57 mil novas equipes e serviços na chamada Atenção Primária, considerada a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), que conta com um atendimento generalista, como é feito em Unidades Básicas de Saúde. A medida atenderá 3,8 mil municípios e promete chegar a cerca de 34 milhões de brasileiros.
Do ponto de vista técnico, tudo certo. O problema é político. Ministros que só souberam da portaria quando foi publicada no Diário Oficial da União, consideram que se perdeu uma oportunidade de usar os recursos para ampliar a base de apoio do governo no Congresso.
Isso porque as verbas serão liberadas sem a participação de deputados e senadores, já que as solicitações são de prefeituras e governos estaduais.
O ministério da Saúde aproveitou a existência de um cadastro de municípios que pediram verbas para Atenção Primária – mas não foram atendidos – ainda no governo Bolsonaro. De acordo com a portaria, o objetivo é zerar a fila de pedidos represados.
A medida foi assinada no dia 5 de abril, mas só ganhou publicidade nos órgãos federais no dia 12. Em março, no lançamento do novo Mais Médicos, também ligado à Atenção Primária, o presidente Lula não mencionou o investimento de R$ 1,6 bilhão.
Um interlocutor petista afirmou ao Bastidor que esses são recursos que chegam na ponta e, portanto, beneficiariam parlamentares em seus redutos eleitorais.
Não é a primeira vez que Nísia é alvo de críticas de colegas do governo. Como mostrou o Bastidor, a atuação da ministra foi classificada como fraca do ponto de vista político.

