O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, apanhou mais dos senadores da base aliada d governo Lula do que da oposição na sessão desta terça-feira (25), na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A pancadaria era prevista.

A ordem nas bancadas do PT no Congresso é atacar Campos Neto. Uma interrupção só virá se a taxa básica de juros cair dos atuais 13,75% ao ano.

Os senadores da base aliada, como Cid Gomes (PDT) e Fabiano Contarato (PT), lembraram as declarações de Campos Neto em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e pediram para o economista deixar a Faria Lima para “interagir com a população”.

Cid Gomes levou um quadro negro e giz e simulou dar uma aula a Campos Neto. Ao final, fez uma cena. “O senhor fez manifestações públicas em defesa do presidente Bolsonaro. Pegue o seu bonezinho e peça para sair”, disse, segurando um boné do banco Santander, onde Campos Neto trabalhava antes de assumir o BC.

Contarato recorreu a um recurso antigo: perguntou ao economista se ele sabia os preços do feijão, do arroz e do leite nos supermercados. “Hoje temos aí 62,5 milhões de brasileiros e brasileiras abaixo da linha da pobreza”, disse. “Uma desigualdade social e regional. E essa taxa de juros só vai aprofundar essa desigualdade”.

O senador Rogério Carvalho (PT) argumentou que a meta de inflação não pode ser uma “camisa de força”. “Política monetária e política fiscal precisam caminhar juntas”, disse. “É bom deixar o debate político para nós políticos e trabalhar no ponto de vista colaborativo”.

Os parlamentares saíram da sessão dizendo que “enquadraram” o presidente do BC. E não foi o fim.

Na quinta-feira, Campos Neto voltará ao Senado, desta vez no plenário, para ser alvo das críticas que contam com o total aval do governo. Deve ter a companhia do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que evita contrariá-lo publicamente, mas concorda com boa parte dos argumentos dos senadores.

Leia a apresentação de Campos Neto na audiência pública de hoje: